A agência Bitter Winter divulgou que o governo da China tem exigido que a Three-Self Patriotic Movement, igreja protestante sancionada pelo estado, mude várias questões bíblicas.

Na revista ‘Heavenly Wind’ (‘Vento Celeste’), por exemplo, Jesus aparece conversando com outros chineses, no lugar de mostrar personagens com características do Oriente Médio.

Nas edições anteriores da publicação mensal, Jesus aparece em paisagens chinesas.

Para a Bitter Winter, isso “vai muito além da ‘adaptação cultural’ iconográfica tradicionalmente praticada por católicos e outros missionários”.

A agência cita que Maria, mãe de Jesus, foi representada como “uma antiga mulher chinesa” e na revista que tratou sobre o milagre da multiplicação, Jesus aparece Jesus alimentando os personagens “retratados com os cabelos amarrados em bolos tradicionais chineses” vestindo os tradicionais trajes Han.

Um cristão de 70 anos da província de Qinghai explicou ao Bitter Winter que o governo comunista “sempre falou sobre desocidentalização” do cristianismo e “não permite que o povo chinês acredite no Deus dos estrangeiros”.

“Mas eu nunca esperava que o Senhor Jesus e os santos através dos tempos fossem transformados em chineses”, disse o cristão idoso.

“Meus olhos se arregalaram quando vi Maria com o cabelo preso em um coque como uma antiga chinesa.

É tão bizarro.

Tentativas de modificar a religiãoA sinicização da Bíblia na China vai além da imaginação.

A edição de julho do Heavenly Wind incluía gráficos comparando certas passagens das Escrituras com os ensinamentos de um livro escrito pelo filósofo chinês Zhu Bolu (1617-1688).

Por exemplo, o versículo da Bíblia: “É pecado desprezar o próximo, mas abençoado é o que é gentil com os necessitados” (Provérbios 14:21 ), era considerado semelhante ao ditado confucionista: “Não há nada mais vergonhoso do que ter ciúmes da riqueza e poder dos outros; não há nada mais desagradável do que desprezar as pessoas pobres”.

Em 2016, o presidente e líder do Partido Comunista Xi Jinping ordenou a sinicização de todas as religiões para garantir que elas sejam leais ao partido oficialmente ateu.

Desde então, em esforços para libertar a religião da influência estrangeira percebida, as autoridades chinesas fecharam igrejas, prenderam congregações e supostamente tentaram reescrever a Bíblia.